A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NO PROCESSO DE COACHING

O universo do desenvolvimento humano sempre me fascinou, desde o início dos anos 1990, quando muito jovem, fazendo cursos descobri, ainda nos seus primórdios, a programação neurolinguística. Enveredando por outros caminhos por toda a minha vida, nunca deixei de trabalhar com desenvolvimento humano, mas foi em 2014 que iniciei com o coaching, para cuidar de mim mesmo, que descobri a importância de usar nos meus atendimentos, no meu dia a dia, nos negócios, na igreja, na família, essa metodologia que poderia com as suas ferramentas transformar vidas e a forma que elas percebiam as coisas. Inicialmente a recorrência me preocupava. Um processo bem feito de 10 sessões me garantia um resultado incrível, satisfação do meu coachee, elogios, valiam até elogios públicos em redes sociais e indicações a amigos, ampliando assim minha carteira de clientes, a minha realização como profissional e a necessidade de levar cada vez mais e mais este processo ao maior número de pessoas. Um processo que de fato estava resolvendo problemas, alavancando os clientes a níveis que eles estabeleciam como metas, mas algo estava me incomodando. A recorrência!

Eu detectei a recorrência quando após vários processos concluídos alguns dos mesmos clientes que haviam completado seus devidos processos de coaching e que estavam satisfeitos, voltavam a mim para novos processos com problemas a solucionar muito parecidos com os que havíamos trabalhado antes. Isso aconteceu uma vez, duas, e na terceira eu me preocupei, fui tentar entender o porquê destas recorrências. Então entendi que o que não estava equalizado eram as emoções dos meus coachees. Passei toda a minha vida, por conta dos dogmas religiosos, negligenciando as emoções humanas. As emoções sempre foram, dentro da religião, demonizadas. Elas seriam as causadoras de tudo aquilo que afastavam o homem de Deus, suplantando a única coisa que poderia ligar o homem ao divino, o espírito.

EMOÇÕES

Existem muitas correntes que denominam o homem dicotômico (corpo e alma), eu sou da corrente que acredita na tricotomia humana (corpo, alma e espírito). Vou além, acredito que somos um espírito que tem um corpo e não um corpo que tem um espírito. Baseado nesse conceito, não podemos afirmar que um trabalho de desenvolvimento humano possa ter êxito de forma dicotômica e ser sistêmico somente porque alinha razão e emoção. Há um espirito a ser alimentado por todo esse processo, e não há dúvidas de que esta tríade se retroalimenta de forma integral, quando atingimos em nossas emoções o que podemos chamar de Estado de Fluxo (FLOW). Para entender como atingir o Flow, precisamos saber o que significa a palavra emoção. Deriva do latim da palavra EMOVERE. E = EXTERNO / MOVERE = MOVIMENTO. Portanto, emoção significa ação, movimento externo, fazer, atitude, externalizar aquilo que está dentro, colocar para fora.

FLOW

As emoções são exatamente o movimento que externa aquilo que se busca no ser humano quando ele está no caminho da plenitude, o seu estado de fluxo, o flow. O indivíduo em estado de flow experimenta o que nas religiões pode-se dizer que é a plenitude espiritual de um homem. É por isso que o coaching, quando em seu processo trabalha as suas ferramentas para que o coachee realize seu propósito, alcance suas metas, e o mesmo realiza friamente seus objetivos, nem sempre alcança seu estado de fluxo, porque o processo de coaching não trabalhou suas emoções, somente a sua cognição e não elevou o seu espirito ao estado flow. O estado de flow é um ciclo que faz das suas habilidades de foco, clareza de onde quer chegar, êxtase, habilidade, desafio e serenidade se manterem sempre ativos no mais alto nível de desempenho em cada um deles. Você volta ao ciclo sempre, o tempo não para, há sempre motivação para seguir. A humildade é uma das características desta plenitude, e quanto mais performar, mais humilde um Flow será, sempre aprendiz, sempre crescendo. Habilidade Alta x Desafio Alto = FLOW (Alto Desempenho). É quando acontece a felicidade!

É nesse processo que a Inteligência Emocional tem um papel fundamental. É por isso que meus clientes estavam sempre voltando a ter de forma cíclica, os mesmos fantasmas que os assombravam em suas emoções, e as mesmas os paralisavam. Porque o processo de coaching totalmente cognitivo vai ter um resultado diretamente relacionado o que está sendo trabalhado, ao problema direta e propriamente dito, mas não na causa do problema, onde ele é formado e gerado para nascer de novo a cada gatilho que o fizer voltar a agir. Então para se ter um processo de coaching completo, mais assertivo, e de fato com resultados duradouros, e que de fato mudasse a vida das pessoas, era preciso incluir ferramentas no processo que trouxessem esse equilíbrio e alinhasse tudo num processo só. A Inteligência Emocional, ela é o processo que vem a completar no coaching o que lhe faltava para que ele seja completo. O coaching nunca mais será como antes após aquele que usar de ferramentas emocionais, sob a tutela da psicologia positiva, programação neurolinguística para que as reprogramações neurais mudem, não só um momento, mas uma vida.

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

A Inteligência Emocional é a capacidade de perceber e administrar as emoções, tanto as nossas quanto das pessoas ao nosso redor. É saber pensar, sentir e agir de forma inteligente e consciente, sem deixar que as emoções controlem, ou descontrolem a sua vida. É compreender de que maneira cada emoção te faz agir, ou reagir. Porque cada pessoa reage de uma forma diferente diante dos medos, da raiva, da tristeza. E quando você tem consciência de como você reage, você pode alterar isso a qualquer momento, se tornando dono das suas ações, autor das suas próprias emoções. Emoção é diferente de sentimento. A experiência de vida é emocional!

Encontrar a felicidade plena do estado de fluxo é a maior busca do ser humano, e tudo o que as pessoas fazem é para se sentirem felizes. A grande verdade é que o estado de fluxo é uma emoção em seu maior estado de plenitude. Um coach não pode simplesmente ignorar isso, e eu sempre me questionava o quanto mais eu poderia ir além. Então a neurociência abriu minha mente para entender como as emoções começam todo o processo desde a infância até a fase adulta.

Para Daniel Goleman, a Inteligência Emocional é exatamente o resultado do equilíbrio racional e emocional, englobando vários fatores como: autoconhecimento, consciência emocional, empatia, motivação e relacionamentos.

AUTOCONHECIMENTO
Conhece-te a Ti Mesmo

O autoconhecimento é um dos fatores que Goleman coloca como fundamental para dar início a um QE elevado. É no autoconhecimento que tudo começa na inteligência emocional. É aqui que o coach precisa trazer a clareza e consciência ao seu coachee, de uma autorresponsabilidade, da verdade de quem ele é, e também daqueles que o cercam. Quem sou eu? Essa parece ser uma pergunta simples, mas dificílima de ser respondida. Como saber exatamente o que somos? Nisto constituiu-se a mais nobre tarefa dos filósofos gregos: “Conhece-te a ti mesmo”, era a máxima que orientava todo o pensamento helênico. Como discernir corretamente porque fazemos o que fazemos, porque agimos como agimos, porque somos assim do jeito que somos? Quando Goleman vai a Sócrates para encontrar o entendimento desta frase, me abre um portal no tempo para ir no maior líder que a história já conheceu, e tentar encontrar nele como podemos ter um exemplo de fazer isso da forma mais plena que possa existir. Foi quando me surpreendi e tudo mudou na minha vida, nos meus processos de coaching, fez toda a diferença ao entender esta nova teoria sobre qual deveria ser o norte de minhas sessões de coaching.

Jesus indagado sobre os mandamentos, resume dez em dois, colocando na sua ordem de importância. E o mandamento não transcendente diz: “… Amarás o teu próximo como a ti mesmo…”, Marcos 12:31. Ele ainda diz que não há mandamento maior que estes. A profundidade com que Jesus 400 anos depois de Sócrates revela a importância de nos conhecermos, é muito maior e mais complexa amplificando o sentido de conhecer. Ele quer dizer que só haverá conexão com o próximo, se houver amor. Mas como amar o próximo de forma profunda? O quanto amar este próximo se eu nem sei o quanto me amo? Se eu nem me conheço, e sei o quanto me amo, como irei amar? É muito mais que conhecer, é uma questão de amar.

O coach precisa amar!
O coach precisa amar a profissão, o que faz, precisa amar o processo, o quanto é remunerado, ser reconhecido, mas acima de tudo, coaching é um negócio de vidas, e vidas precisam ser amadas. O coach só vai conseguir resultados extraordinários, quando aprender a amar o seu coachee. Na dúvida durante o processo sobre algo, ame. O coaching não é sobre mim, muito menos sobre o sucesso que terei nas sessões, o processo é todos sobre quem está a minha frente. O ego ode estragar todo o processo, desfazer sua conexão, interromper o rapport, enquanto que o amor iniciará um processo poderoso de transformação na vida do coachee. O amor é paciente, é bondoso, não inveja, não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Sim, eu sei! Neste momento você, assim como eu, tomou um soco na boca do estômago, está chorando, se sentindo confrontado e se achando necessitado disso. Então o primeiro a passar por um processo de coaching com inteligência emocional não é o seu cliente, é você. E eu fiz isso. Parei de pensar no quanto ganharia com o meu processo, e passei a me conectar mais com as pessoas em amor. Quer se conectar realmente, sem técnicas e com verdade? Chore com o seu cliente, ame-o.

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Carl Jung

Mas como conhecer a si mesmo?
Nos meus processos de coaching, não abro mão de fazer o assessment antes da primeira sessão com meus futuros coachees. Conhecer o perfil comportamental de quem somos e com quem nos relacionamos é fundamental nos dias de hoje, tanto nas empresas, quanto nas relações interpessoais. Vai muito além de um perfil DISC (Dominante, Influente, Estável e Conforme). É descobrir o quão extrovertido ou introvertido somos nas atitudes, se somos mais sensação, intuição, sentimento ou pensamento, saber das múltiplas inteligências, perfil de liderança e quais valores regem a pessoa. A neurociência é a maior aliada neste processo. Através dela entendemos que o cérebro está dividido em emocional e racional. O cérebro límbico, responsável pelas emoções e o neocórtex pelas razões. Neles estão registrados deste a vida uterina tudo que o ser humano já viveu, trazendo em seu DNA também toda a ancestralidade emocional que o indivíduo carrega. Funciona como nas imagens abaixo:

Mudar o que e o porquê?
O brasileiro tem 90% do QI na média, 5% acima da média e 5% abaixo da média, mas não é o QI que define o seu sucesso. São as emoções que vão manter o sucesso que a cognição levou a pessoa a ter. 100% dos empregados são contratados por causa de sua capacidade intelectual e 87% são demitidos por falta de capacidade emocional. Hoje, a maior preocupação do mercado é encontrar a melhor maneira de desenvolver competências emocionais em seus colaboradores. Cada dia mais as pessoas se preparam intelectualmente, conquistam diplomas e certificações, mas perdem coisas muito importantes quando se apercebem diante de uma adversidade. A programação metal não está no QI, no cognitivo, não é a parte cognitiva do cérebro, são nas emoções. Por tanto tempo, ou por toda uma vida negligenciada, a emoção toma forma gigantesca neste momento no mundo corporativo mundial, que enxerga dois caminhos: liderança coaching e inteligência emocional.

Saber o que é melhor para mim é uma habilidade cognitiva, mas fazer o que é melhor pra mim, exige de mim habilidades emocionais, que muitas vezes esbarram em nossas crenças e nos paralisam. Nossa atitude é determinada pelo quão emocionalmente estou pronto para ir adiante em determinada situação e não do quão capacitado estou academicamente. Por isso muito coachees paralisam, não conseguem dar o próximo passo. O Coach precisa trabalhar e reprogramar suas crenças, editar suas sinapses neurais através de técnicas que vão ter forte impacto emocional, tão fortes quanto as que foram ancoradas em suas emoções no passado. O coach precisa ser um reprogramador de crenças e não dá mais para desassociar o coach desse papel. Não podemos mais prescindir das ferramentas de neurolinguística para fazer com que nossos coachees vivam esta plenitude. O coaching é um processo para a vida. Sendo treinado por Marshall Goldsmith, o maior business e executive coach do mundo, ele me ensina que existem coaches que não fazem processos de um número específico de sessões, mas são para toda uma vida ao lado daquele de quem ele pode dar maior alta performance por toda uma vida. Diz também que precisamos escolher nossos coachees, a fim de que possamos performar mais com a área que estamos escolhendo atuar. Qual o seu propósito como coach? Se for transformar vidas, não basta apenas realizar uma meta, conquistar um objetivo no processo, reprograme as emoções de seu coachee para ele ter um mindset vencedor.

Recentemente, sendo treinado diretamente por Daniel Goleman, algo que ele disse ficou marcado em mim. Em suas viagens pelo mundo, em todas as suas pesquisas e estudos, o que ele classifica como um dos maiores desafios hoje, é ver na pessoa o controle sobre o sequestro da amígdala.

VENCENDO O SEQUESTRO DA AMÍGDALA
Domínio Próprio

A amígdala está intimamente relacionada com a memória, pois ajuda em sua consolidação. As memórias e experiências emocionais da criaça são armazenadas no hemisfério direito do cérebro como instantâneos de mémorias relâmpago nos primeirosa 3 anos de vida pelo menos, já que o cérebro esquerdo ainda não iniciou o seu desenvolvimento. Sua principal função é processar e armazenar as reações emocionais. Desempenha um papel essencial em sentimentos como o medo e a raiva, e é essencial para identificar os riscos e saber como reagir diante deles. Quando acontece o sequestro neural, o sequestro desta amígdala, um centro no cérebro límbico proclama uma emergência, recrutando o resto do cérebro para um plano de emergência. O sequestro acontece num instante, disparando essa reação crucial momentos antes de o neocórtex, o cérebro pensante, ter a oportunidade de ver o que está acontecendo, sem ter tempo de decidir se é ou não uma boa ideia. São os rompantes, motivados por culpa, medo, crenças. Tudo formado na infância e que vai ditar uma vida de ciclos e repetição de padrões que podem levar pessoas muito inteligentes viverem uma vida inteira de fracassos e muito descontrole. O papel do coach é eliminar estas crenças, resgatar essa criança perdida, e controlar este sequestro. Os sequestros sempre custam muito caro, financeira e emocionalmente. O cerne da mensagem do maior líder da história também foi o autocontrole e domínio próprio. Goleman, Sócrates, Jesus, falam de domínio próprio sob uma perspectiva de metanoia, remindset, mudança de mente, não se conformando com este mundo de imagens que nos alimentam de medos, raiva e fracassos. Todos adeptos do mindfulness, a meditação com foco naquilo que pode mudar e transformar, mostram a direção da transformação dessa criança num adulto que conquista e, pode sim, viver uma vida extraordinária. Nessa imagem abaixo, a criança segura a amígdala no centro de seu cérebro, pronta para soltar e explodir.

Nós estamos aqui para fazer com que o adulto seja o gestor destas emoções e comece a controlar sua vida sem os medos do passo, uma vez agora programados para uma vida de sucesso em todas os 11 pilares de sua vida: espiritual, emocional, conjugal, profissional, parentes, filhos, social, saúde, servir, intelectual e financeiro.

Os vícios emocionais, oriundos das crenças que experimentamos, são iguais aos químicos, as drogas, álcool, açúcar. As pessoas tentam se saciar destes vícios. Cada sentimento do ser humano produz uma química proporcional ao mesmo, e alguns cientistas chamam de moléculas de emoção. Nós podemos mudar a química de nossos clientes quando ensinamos para eles novos hábitos, passamos novos exercícios diários e rotineiros de gratidão e validação. Tudo que aprendeu na infância, desde medos, humilhações, privações, será reproduzido na vida adulta. Os parceiros sempre serão aqueles que vão alimentar estes vícios. Até que tenha consciência, sempre viverão estes ciclos intermináveis de dor. Reprogramando nossas emoções somos capazes de mudar tudo isso, trazendo um novo significado. Racionalmente conseguimos ressignificar apenas 15% de resultado sobre estas mudanças, mas a razão não tem força sobre a emoção. Nós coaches podemos estimular a neuroplasticidade com novas sinapses que mudem o mindset e transforme a vida de nossos coachees através da Inteligência Emocional em nossos processos. Nós podemos mudar o mundo com estas ferramentas e levar o amor as pessoas que precisam ser amadas através de nosso olhar e a verdade em nós de querer realmente fazer e dar o melhor. Tenha empatia e vá até o final comprometido com a transformação de seu coachee.
Mas acredite, a base do processo, é o AMOR!

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Written by Marcio Fiorini

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